Feminismo

Violência contra a mulher, um universo além do físico

Quando falamos de violência contra mulher, violência de gênero, violência doméstica e afins logo se pensa em agressão física. Algumas mulheres argumentam que não vivem e nunca viveram relacionamentos abusivos porque nunca apanharam dos companheiros, mas a violência vai além do ambiente físico, e estes abusos também deixam marcas profundas, além da possibilidade forte de culminar em violência física e morte.

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Vou listar e exemplificar os principais tipos de violência para pensarmos sobre:

Psicológica: Está nesta categoria atitudes como humilhar, xingar, caluniar, manipular, perseguir, chantagear, fazer a mulher pensar que está ficando louca (gaslighting), inibir ou proibir sua liberadade de crença, controlar seu comportamento, lugares onde pode ir, pessoas que pode falar, isolar a mulher de amigos e família, vigiar mensagens, ligações, redes sociais, exigir senhas, expor questões íntimas do relacionamento, vazar fotos íntimas, fazê-la duvidar de sua importância e beleza, mexer com sua auto estima, fazê-la pensar que se perder este parceiro nenhum mais irá querer ela pois ela não merece, proibir uso de roupas curtas, salto alto, cortar o cabelo, usar maquiagem, tudo que possa inibir, afastar ou extinguir o controle da mulher sobre sua vida;

Violência sexual: Forçar o sexo dentro do relacionamento mesmo se a mulher não quiser ou estiver indisposta (estupro marital), praticar sexo enquanto a mulher está dormindo (estupro), impor a realização de fetiches para agradar o homem, impedir o uso de métodos contraceptivos, camisinha ou obrigar a realizar aborto;

Violência patrimonial: Controlar ou destruir patrimônio, objetos, documentos, tomar conta do dinheiro da mulher;

Violência simbólica: Talvez seja a menos conhecida, mas a mais abrangente, é quando se criam esteriótipos sobre a mulher, colocando-as em papéis inferiores e submissos impostos pelo patriarcado como apenas mães dedicadas, donas de casa, símbolo sexual em propagandas, revistas, generalizações como “mulher no volante perigo constante” “por trás de todo grande homem está uma grande mulher”, ou seja, tudo que reforça os estereótipos negativos e machistas sobre as mulheres;

Violência física: A violência física não abrange apenas as agressões mais sérias, pode começar com atirar objetos, segurar forte, sacudir, tapas, chutes, socos, enforcamento, empurrões, deixando eles marcas físicas ou não.

Você se viu ou lembrou de alguém ao ler estas breves definições? Acredito que sim. Algumas pessoas pensam “nossa mas como a mulher aceita isso” “mulher gosta de apanhar/sofrer”. Isso é de uma falta de conhecimento e empatia terrível! Relações abusivas são cíclicas, o agressor nem sempre pratica todos os tipos de violência, às vezes começa aos poucos, e o mais importante: ele mescla a agressão com pedidos de desculpas e promessas de mudança!

Uma mulher envolvida num relacionamento abusivo provavelmente perdeu sua auto estima, seu empoderamento, seu amor próprio, seu agressor a faz pensar que é feia, burra, inútil, desinteressante, faz pensar que é uma sortuda por ele ainda querer estar com ela apesar dela não merecer ele, e que se este relacionamento acabar ninguém mais irá querer ela, e de acordo com o patriarcado uma mulher não pode ficar sozinha, ela precisa de um homem.

Já temos uma maior liberdade para discutir esses assuntos, temos leis específicas, mas ainda há um longo caminho a trilhar. Estes conceitos patriarcais e machistas estão tão enraizados em nossa sociedade que os reproduzimos sem perceber.

Caso precise de ajuda você pode buscar a Central de Atendimento á Mulher -180, o aplicativo Clique 180 ou presencialmente em qualquer delegacia.

E não se esqueça: ame-se moça!

Adrielle Souza

Adrielle Souza

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