Sexo

Sexo casual: prazer, lazer ou sofrimento?

Prática de sexo casual oferece mais benefícios ou mais prejuízos, questões que ainda causam dúvidas entre quem escolhe este tipo de relação

O assunto é sexo e o subtema é dos mais interessantes: sexo casual. Apesar das críticas e da falácia negativa em torno dos sites de encontros, a internet e as novas ferramentas da Tecnoclogia da Comunicação e Informação (TIC) fizeram renascer as buscas por parceiros, usando os aplicativos. Fotos sem roupa são mais que comuns pelas redes sociais e a cultura do engate vive uma nova era. Vai dos aplicativos pelos smartphones, que permitem encontrar alguém próximo, aos sites de namoro e sexo casual como o C-date. Apesar de parecer ser um tabu, este modelo de sexo consentido entre duas pessoas e que não pretendem uma relação emocional profunda ganhou muitos adeptos, especialmente no Brasil.

Há ainda quem diga que o sexo casual, parente pobre da sexualidade humana, não é tão inofensivo e livre quanto o seu cariz moderno quer fazer parecer, mas o certo é que boa parte das pessoas procuram satisfazer suas necessidades sexuais em encontros diários, quando numa festa, numa balada, num restaunrante, num bar ou por ai, nas ruas, praças, no transporte público ou quando estão parados no trânsito infernal das grandes cidades. Será? Para a sexóloga e consultora do C-date, Carla Cecarello, sim. Isso de fato ocorre. “As pessoas entenderam que o sexo não é algo ruim e tampouco ir para a cama com alguém que conheceu recentemente também não precisa ser uma dor de cabeça”, afirma a sexóloga.

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Desde 2009 já se questionava se as relações de “friends with benefits” ou “amigos coloridos ou amigos com benefícios para ambos” seriam emocionalmente nefastas. Depois de mais de 1000 entrevistas a jovens adultos americanos, com uma média de idades de 20 anos, concluiu-se que não. Naquela ocasião, a constatação foi de que quem optava por sexo casual corria os mesmos riscos do que quem tem sexo apenas num contexto de relacionamento amoroso (namoro, casamento, relação estável, etc). Já em 2014, outro estudo publicado no ‘Journal of Sex Research’, com estudantes heterossexuais entre os 18 e 20 anos, concluiu que o sexo casual era negativamente associado a bem estar psicológico e positivamente associado a alterações emocionais, ou seja, poderia aumentar o risco de danos psicológicos.

Em 2015, uma nova pesquisa foi feita para tentar isolar fatores e verificar se o sexo casual poderia deixcar marcas invisíveois nos corações e cabeças de quem o pratica. Para tanto, estudou se a autonomia ou a falta dela nos encontros. Quanto a “autonomia” entenda-se a atração pela outra pessoa; a vontade de explorar a sua sexualidade; uma forma de aprendizagem. Por “não autonomia”, a pessoa estar bebada ou inconsciente de suas práticas e atos, assim como querer mais do que a simples relação sexual; ou ter sexo com alguém por vingança contra outrem. Neste caso, a conclusão foi de que os sujeitos que praticam sexo casual de forma autônoma não são afetados pela falta de ligação ao outro. Os demais sentem um decréscimo no seu bem estar ou autoestima.

Para a sexóloga Carla Cecarello é necessário que as pessoas compreendam a ação e a prática. Decidir pelo sexo casual sem a segurança de que o sexo começa e termina no mesmo dia, local e pessoa, pode ser prejudicial. “Como em tudo na vida, há benefícios e riscos. Mas se a pessoa sabe o que quer e como quer o sexo casual pode ser saudável e trazer benefícios. Já sea pessoa não tem tanta cereteza, isso pode ser negativo”, afima a consultora do C-date. Para a sexóloga, a quebra do tabu significa antes de tudo que uma grande parte das pessoas, em especial as mulheres, compreendeu que podem tomar à frente quando o assunto é sexo, mas isso não significa que os comportamentos tenham mudado em relação as questões sentimentais. “Isso quer dizer que a prática de sexo casual é para quem não quer compromisso sério, senão não é recomendável fazê-lo”, diz Carla.

O sexo casual afeta diferentes pessoas de diferentes formas, o significa que ele não é intrinsecamente bom ou mau. O que somos, como o fazemos e porque o fazemos são fatores críticos para compreender os efeitos do sexo sem compromisso. Enquanto sociedade, temos ainda muita dificuldade em aceitar que o sexo possa ser vivido prazerosamente fora do desenho das relações. Por essa razão, a noção de amor romântico, que acasala para a vida, está cada vez mais longe dos desejos e pulsões que naturalmente sentimos e que o mundo nos incita, cada vez mais, a sentir e agir sobre. Não é, por isso, de estranhar, o surgimento de novas formas de relação e de família.

Parece difícil conceber que alguém queira sexo casual como modo de vida, como se todos tivéssemos de procurar o mesmo e nos satisfazermos de igual modo. Por essa razão surgiram também novas expressões que permeiam as relações sociais como ‘one night stand’, ou ‘fuck buddy’ , ‘booty call’, ‘sex with an ex’. Apesar das expressões serem para um público definido e que sabe o que faz, boa parte das pessoas já fizeram, mesmo quando sequer imaginavam estar fazendo o que essas expressões remetem. O sexo com um estranho (ou mesmo com um amigo) leva a entender que é um pecado, que é uma ação errada ou que a sociedade irá condenar por tal prática. Por isso, quem entra deve ter em conta que é preciso estar ciente sobre os resultados de tal decisão.

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