Feminino

A Missão dos Pais na Visão Espírita

Aproveitando a proximidade do dia dos pais, convidei mais uma vez o psicólogo espírita Waldenir Cruz, desta vez para falar sobre os aspectos do amor paternal, a importância de uma relação saudável entre pai e filhos e ainda para explicar qual a missão dos pais na visão espírita.

Confira a entrevista e boa leitura!

Waldenir Cruz com seus filhos: Mônica, de 48 anos, e Alexandre, de 45. (Foto: Arquivo Pessoal)

Coluna Mãe 2.0 Beta: Na visão espírita, qual a missão de um pai perante os seus filhos? 

Waldenir Cruz: Em diversas partes de “O Livro dos Espíritos” e do “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Allan Kardec e os Espíritos da Codificação falam da responsabilidade dos pais pela educação dos filhos. A questão 208 de “O Livro dos Espíritos”, diz o espírito do pai tem a missão de desenvolver o dos filhos pela educação. Isso é para ele uma tarefa. Se nela falhar, será culpado.

Na questão 582, lemos igualmente que este dever implica, mais do que o homem pensa, a sua responsabilidade para o futuro. Em todos os momentos em que este assunto é introduzido em uma conversa, ressalta a seriedade do compromisso espiritual assumido pelos pais e pelas mães, de possibilitar a um espírito a chance de encarnar naquele núcleo familiar.

Está claro que a missão dos pais é auxiliar os filhos na sua evolução nos seus mais variados aspectos, isto é, intelectual, moral e espiritual. Para resumir podemos dizer que educar é a maior missão dos pais em relação aos filhos.

Coluna Mãe 2.0 Beta: Afinal, o que é ser pai nos dias de hoje?

Waldenir Cruz: Eu diria que é um dos maiores desafios da humanidade, pois como foi dito acima, educar é a maior missão e ninguém dá o que não tem. Portanto, os pais precisam se educar (que é diferente de se instruir) para somente então poder ajudar os seus filhos. Na minha percepção, muitos pais não estão preparados para essa missão, pois confundem educar com instruir, confundem bens morais com bens materiais e tentam compensar a ausência com “presentes”, terceirizam a educação e, como não aprenderam a ter limites, não sabe impô-los; além de corromperem os filhos com “presentes”, como: se você comer a rúcula ganha um doce…

Coluna Mãe 2.0 Beta: Um estudo apresentado recentemente no I Congresso de Psicologia do Instituto Superior de Psicologia Aplicada, em Lisboa, comprovou que o pai assume mais responsabilidades nas atividades do dia a dia das crianças do que há alguns anos.

Os responsáveis pelo mesmo estudo afirmam que se constata uma presença maior do pai em dimensões relativas aos cuidados, ao apoio emocional e à estimulação das crianças, tarefas nas quais o pai tradicionalmente não se envolvia. Alterações sociais como a forte profissionalização do trabalho feminino, a divisão das tarefas domésticas e do cuidar dos filhos ou as novas tipologias de famílias, resultantes das separações e dos divórcios, contribuíram para esta mudança, tal como as próprias expectativas da sociedade e a crescente preocupação com o bem-estar e o desenvolvimento das crianças. 

Como você analisa as considerações apresentadas por esse estudo?

Waldenir Cruz: É certo que os homens estão mais atuantes no trato com os filhos, assumem papéis que pais de quarenta, cinquenta anos atrás não assumiam, por ser uma “atividade feminina”. Por outro lado, as mães, com a obrigação de ajudar financeiramente, estão mais tempo fora de casa e, infelizmente, como disse anteriormente, tentam compensar essa ausência com bens materiais, esquecendo-se que o importante é a qualidade e não a quantidade de tempo que ficam com os seus filhos. Isso não quer dizer que a mãe não deve ou não pode trabalhar fora de casa, mas até por isso mesmo, uma vez que têm dupla ou tripla jornada, uma boa parte delas não tem disposição para brincar com os seus filhos. E brincar deve ser sagrado para uma criança. 

Coluna Mãe 2.0 Beta: O que os pais devem fazer para não confundir autoridade com autoritarismo e conseguir ter uma boa relação com seus filhos? 

Waldenir Cruz: Para resumir em uma palavra eu diria autoconhecimento. Um artigo de luxo que estamos procurando há mais de dois mil anos e ainda não conseguimos. Autoridade conquista respeito com exemplos e diálogos. O autoritário impõe a sua vontade pela força e quando se usa o argumento da força é porque não existe a força do argumento. Não se pode esquecer que o diálogo é uma via de mão dupla e o autoritário não sabe e não quer ouvir, apenas quer ser ouvido e obedecido. Foi por esse motivo que um famoso psicólogo chamado Jesus há mais de dois mil anos nos alertou: “‘Que ouçam os que têm ouvidos de ouvir”.

Coluna Mãe 2.0 Beta: Baseado na psicologia, existe alguma “fórmula secreta” para ter um bom relacionamento com os filhos?

Waldenir Cruz: Esse é o desejo de dez entre dez pais que atendo no consultório, uma “fórmula secreta” e eu sempre digo que sim, essa fórmula existe. E, de novo, vou citar o psicólogo Jesus quando diz: “faça ao outro aquilo que você gostaria que fizessem a você”. É sempre muito saudável nos colocar no lugar do outro, na psicologia chamamos isso de empatia, sentir com o coração do outro, tentar sempre se colocar no lugar do outro, isso tem um efeito milagroso, pois aprendemos que o outro também sente, chora, se alegra, se entristece…

Coluna Mãe 2.0 Beta: Qual a sua mensagem final para todos os pais neste dia dos pais?

Waldenir Cruz: A mensagem é que não tentem ser super-heróis, não tentem fazer o impossível, pois o que os filhos querem são apenas pais humanos, que sentem, choram, alegram-se, entristecem-se. Por isso, não tenham vergonha de dizer: não sei, eu errei, desculpe-me, por favor. Mas, não tenham medo de impor limites, pois se você, pai, não fizer isso, a vida vai fazer por você e será muito mais difícil para o seu filho aceitar, se ele não tiver aprendido em casa. E, com certeza, será muito doloroso ver o seu filho sofrendo porque você não o ensinou a respeitar limites.

Waldenir Cruz é psicólogo espírita e apresentador do programa Ouvindo Você, da Rádio Rio de Janeiro, exibido ao vivo nas sextas-feiras, às 13h.

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Feliz Dia dos Pais!

Até a próxima!

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