Feminino

A maternidade na visão espírita

“Ensinarás a voar, mas não voarão o teu voo. Ensinarás a sonhar, mas não sonharão o teu sonho. Ensinarás a viver, mas não viverão a tua vida. Ensinarás a cantar, mas não cantarão a tua canção. Ensinarás a pensar, mas não pensarão como tu. Porém, saberás que cada vez que voem, sonhem, vivam, cantem e pensem, estará a semente do caminho ensinado e aprendido” (Madre Teresa de Calcutá).

Com a doçura das belas palavras de Madre Teresa de Calcutá podemos entender melhor a visão espírita sobre a maternidade. Quando se olha uma mãe e suas atitudes em relação aos seus filhos, é possível enxergar um amor incondicional sendo exercido, amor esse que é o que chega mais próximo do que nos foi exemplificado por Jesus Cristo.

Aproveitando a data do dia das mães que se aproxima, convidei uma pessoa especial para falar melhor sobre os aspectos do amor maternal, a importância de uma relação saudável entre mãe e filho, e ainda explicar qual a missão da maternidade na visão do Espiritismo. Apresento a vocês a psicóloga espírita Fernanda Gamal, mãe de Dandara e Nina, de 18 e 6 anos, respectivamente.

Confira a entrevista e boa leitura!

Coluna Mãe 2.0: Fernanda, como podemos entender melhor o papel da maternidade, pegando como base essas belas e sábias palavras de Madre Teresa de Calcutá? Afinal, como podemos entender a maternidade na visão espírita?

Fernanda Gamal: O papel da maternidade é exatamente esse que está no texto, dar as possibilidades dos nossos filhos viverem! Ensiná-los a irem para a vida da melhor maneira possível. Às vezes nos equivocamos e superprotegemos demais nossos filhos, achando que assim eles se tornarão seguros e mais fortes. Ledo engano, costumo falar que a superproteção faz tão mal quanto o abandono, pois protegendo em demasia, não damos as ferramentas necessárias para que eles possam ir à luta na vida, tornando-se pessoas inseguras e medrosas.

Na visão espírita aprendemos que os nossos filhos são espíritos e que chegam com muita bagagem de outras existências e por isso temos, muitas vezes, questões do passado para resgatar com eles. Escolhemos ser seus pais, portanto a nossa missão é ensiná-los a serem pessoas melhores para si e para o mundo. Devemos mostrá-los o caminho do bem. Desta maneira, com certeza, teremos a consciência de que fizemos o nosso melhor.

Coluna Mãe 2.0: Qual a importância da infância para a formação de um homem/mulher de bem?

Fernanda Gamal: A infância do ser humano é o período mais longo de todas as espécies, justamente por isso temos tempo e oportunidade para “moldarmos a educação” dos nossos filhos. E é nesse período que devemos transmitir amor, a questão mais importante entre mãe e filho: O amor maternal, que se torna um elo eterno.

Primeiro precisamos ter em mente que o desenvolvimento infantil se inicia no útero materno e a percepção de afetividade é sentida pelo feto desde o princípio da gestação. Os pais precisam a todo o momento demonstrar carinho e afeto com a criança que está para chegar. Dependendo do estado emocional da mãe, são gerados hormônios que são levados ao bebê que, por sua vez, consegue perceber se a mamãe está sentindo dor ou prazer e divide com ela essas sensações.

Manifestações de carinho com o neném ainda no ventre são importantes. Cantar para ele, conversar, fazer carinho na barriga fazem com que o bebê se sinta seguro, feliz e protegido. Da mesma forma, se a gravidez for um período tenso para os pais, isso fará com que a criança tenha uma grande chance de manifestar ansiedade, de sentir medo e insegurança.

Para o estudioso Henri Wallon, que era filósofo, médico, político e psicólogo francês, o desenvolvimento da afetividade é o resultado da interação orgânica e social entre o feto e a mãe. Ou seja: se no início as manifestações de afetividade são fisiológicas por parte do bebê, aos poucos isso vai se modificando, de acordo com a interação social da criança. Daí o bebê vai transformando o seu mundo psíquico conforme o amor que for recebendo. O estudioso vai ainda mais longe, enfatizando que o desenvolvimento da inteligência vai depender de como essa criança ainda no ventre for educada com demonstrações de carinho e afeto. A cognição está diretamente relacionada com a afetividade, com amor.

Coluna Mãe 2.0: E o que podemos aprender com isso na prática?

Fernanda Gamal: Que, como mães, temos que, desde os primeiros dias do bebê, tratá-lo com afeto, responsabilidade e respeito. O adulto vai criando, mesmo antes do raciocínio do bebê, um elo que os unirá pela emoção. E a criança vai se identificando com o cuidador e assim se sentindo segura e amada.

Com o tempo, o bebê sentirá necessidade de outras manifestações de afeto. No início, a amamentação (que será a primeira manifestação de afeto da mãe com o bebê), a mamadeira, o colo e o aconchego. Depois, já maior, a criança vai reclamar atenção, diversos cuidados e – o mais importante – o amor.

E como deve ser essa manifestação de amor? Impondo limites, ensinando e orientando. A entrada na vida escolar também será um período importante para essa criança e quanto mais tranquilo esse momento, mais segura ela se tornará perante os acontecimentos de sua vida.

É importante aliar a educação dos filhos com a firmeza e a segurança dos pais. Firmeza e segurança não significam punição nem castigo, e sim os pais estarem certos daquilo que estão fazendo, sempre com amor. Firmeza com carinho! As crianças se tornarão seguras, mesmo em um momento ou outro não concordando com a atitude dos pais.

Ser autoritário demais ou dar muita liberdade ao filho é prejudicial para a educação desse indivíduo. Crianças que não se frustram têm grandes chances de se tornarem adultos egoístas, pois não aprenderam a não poder, pois tudo lhes foi permitido. Dizer não de vez em quando a uma criança também é dar amor, pois agindo assim os pais estarão prevenindo consequências negativas no futuro dos filhos. Mas, por outro lado, pais muito autoritários podem criar adultos inseguros, pois não permitir às crianças fazerem algumas escolhas, escolherem por elas mesmas, é prejudicial ao desenvolvimento delas.

Nós, mamães sempre nos culpamos em relação à educação dos nos nossos filhos, mas se a base de tudo for o amor, aquele amor que Jesus nos ensinou, não tenhamos medo, pois estaremos no caminho certo e conseguiremos responder à pergunta descrita no Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XIV – Honrai a vosso pai e vossa mãe, item 9. “ Lembrai-vos de que a cada pai e a cada mãe, Deus perguntará: “Que fizestes da criança confiada à vossa guarda?”.

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Feliz Dia das Mães e até a próxima!

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