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Como a série “13 ReasonsWhy”pode alertar os pais para os perigos do bullying

A série 13 ReasonsWhy, produção original da Netflix que estreou no dia 31 de março, está fazendo muito barulho nas redes sociais. Muitas pessoas estão postando em suas timelines e perfis suas impressões da primeira (ou única?) temporada.

Baseada no livro homônimo de Jay Asher, de 2007, e que no Brasil foi lançado com o título “Os 13 Porquês” (Ática, 2009), a série está colocando novamente na berlinda o tema do bullying na mídia.

Hannah Baker é uma adolescente de 17 anos que estuda na Liberty High School. Logo no início do primeiro episódio ficamos sabendo que ela se matou e deixou uma gravação em fitas K7 onde lista os 13 motivos pelos quais decidiu terminar seu sofrimento com um suicídio. Cada motivo corresponde a um episódio.

Enquanto o seu colega Clay Jensen ouve as fitas, acompanhamos a trajetória de Hannah, do próprio Clay e de mais alguns alunos da escola de ensino médio.

Terminei de assistir a todas as “fitas” e fiquei pensando como tive sorte nos meus tempos de colégio. Mas nem todos os adolescentes têm essa mesma sorte que eu tive. Por isso, nós (mães e pais) devemos ficar muito conscientes dos perigos e dos problemas que nossos filhos podem passar durante essa fase tão difícil que é a adolescência.

Perigos como bullying e o cyberbullying também estão presentes nos colégios brasileiros e nos chamam a atenção pelos desfechos trágicos com casos de depressão, automutilações, agressões, assassinatos e também de suicídios.

A narrativa da série é muito útil para que nós pais tenhamos um maior entendimento sobre o universo dos adolescentes e também para percebermos melhor os sinais que os nossos próprios filhos possam nos enviar em algum momento da vida como um pedido de socorro silencioso.

Quanto pais não se recriminam por não ter percebido a tempo as intenções dos seus filhos?

Para refletirmos um pouco sobre o tema bullying convidei o psicólogo Waldenir Cruz para a entrevista abaixo. Vamos acompanhar?

Coluna Mãe 2.0 Beta: Qual a diferença de uma brincadeira de criança para uma agressão, que é o bullying?

Waldenir Cruz: Uma brincadeira nunca tem a intenção de magoar e quando o “ofendido” diz não gostar, a sua vontade é respeitada. O bullying tem a intenção de ferir, de magoar e se o “ofendido” reclama, normalmente o assédio é agravado eo que era somente verbal e psicológico pode passar a agressões físicas.

Coluna Mãe 2.0 Beta: Apesar do nome ser novo, o bullying sempre aconteceu. Você vem percebendo que estas agressões estão crescendo ou ficando mais graves com o passar do tempo?

Waldenir Cruz:Não creio que venha aumentado, pois há 60 anos eu já conhecia essa situação, apesar de ter outros nomes. O que não existia antes era a internet e as redes sociais, que hoje ampliam tudo isso instantaneamente. E isso ganha uma dimensão que, até então, não era possível.

Coluna Mãe 2.0 Beta: Quais as razões que levam alguém a praticar bullying?

Waldenir Cruz:As razões são sempre falta de educação, de solidariedade, de fraternidade. Em uma palavra: falta de amor.

Coluna Mãe 2.0 Beta: Qual o papel dos pais nesta delicada questão? Somente trocar de escola é a solução?

Waldenir Cruz:Há um ensinamento evangélico que diz: “onde estiver o seu tesouro aí estará o seu coração”. Logo, mudar de escola, o que algumas vezes é necessário, significa apenas mudar o problema de lugar. Não se deve querer transferir a responsabilidade de educar para a escola. Os pais são os responsáveis pela educação que seus filhos recebem.

Coluna Mãe 2.0 Beta: Quais os principais sinais que os pais devem ficar alerta em relação ao comportamento dos seus filhos?

Waldenir Cruz:Essencialmente, mudança de comportamento, não gostar mais de ir para a escola, às vezes até adoecer de verdade para não ir mais para faltar a escola ou a qualquer outro lugar que antes gostava de ir.

Coluna Mãe 2.0 Beta: Que tipo de danos pode causar o bullying?

Waldenir Cruz: Pode causar os mais variados tipos de danos, como agressividade, medo, insegurança, o uso de drogas como meio de se sentir forte ou aceito, agressões psicológicas, verbais e físicas, além de assassinatos e suicídios.